terça-feira, 16 de novembro de 2010

Estufado de Lentilhas

No universo dos livros de cozinha vegetariana, é invariável que haja um princípio filosófico subjacente a essa escolha. E de todos os livros que leio é natural que uns me influenciem mais do que outros. O livro "The Kind Diet" da Alicia Silverstone marcou-me, talvez por estar mesmo mais dedicado à filosofia dos que às receitas. Bem escrito, com ideias claras e definidas. Exemplos convincentes (pelo menos para mim). Radical, é um facto, mas há qualquer coisa em mim que gostava de radicalizar. Optar por um vegetarianismo mais puro. Assumir as minhas convicções e viver de acordo com elas! Acredito nos seus benefícios.
No entanto, mudanças radicais nunca são positivas, e muitas vezes revelam-se contraproducentes. Opto, por isso, por privilegiar em casa receitas e opções mais radicais.
Não é fácil ser-se vegetariano em Portugal. Embora se possa alegar que tradicionalmente a nossa alimentação era essencialmente vegetariana, sendo o peixe, e sobretudo, a carne apenas servidos em dias de festa. A verdade é que hoje em dia está centrada e concentrada no consumo de carne e do peixe. As alternativas passam, muitas vezes, pelas famosas saladas… Se não sou flexível acabo a comer alface, tomate, pão e azeitonas, e que enfim… não puxa carroça!
Acima de tudo as receitas do “The Kind Diet” têm-se revelado muito boas! Já é a segunda vez que faço este estufado de lentilhas. Muito, muito bom.

estufado de lentilhas acompanhado com arroz selvagem integral e couve portuguesa ao vapor.


Estufado de Lentilhas
½ colher de chá de alho em pó
½ colher de chá de paprika
½ colher de chá de sal fino
¼ colher de chá de cominhos moídos
¼ colher de chá de orégãos secos
¼ colher de chá de manjericão seco
2 colheres de sopa de azeite
2 dentes de alho finamente picados
2 cebolas cortadas ao pedaços
2 talos de aipo
1 cenoura grosseiramente cortada em cubos
1 batata cortada grosseiramente cortada em cubos (eu uso batata doce)
¼ de chávena de molho de soja
5 chávenas de caldo de legumes
3 tomates
1 ½ chávenas de lentilhas castanhas

Misture o alho em pó, a praprika, o sal, os cominhos, os orégãos e o manjericão numa tigela. Aqueça um pouco de azeite numa panela de sopa e junte o alho, a cebola, o aipo, a cenoura e a batata. Junte metade da mistura de temperos e o molho de soja. Deixe cozinhar durante cerca de 7 minutos até as cebolas estarem bem estufadas.

Junte o caldo de legumes (pode adiccionar mais água se achar necessário), os tomates partidos em cubos e as lentilhas. Junte o resto da mistura dos temperos e deixe cozinhar mais cerca 20 min. Uma sugestão para estufado é servi-lo acompanhado com umas fatias de bom pão torrado.

quinta-feira, 11 de novembro de 2010

Creme de Tomate e Feijão Manteiga

Mais uma sopinha para aquecer as noites frias.
Muito simples e rápida. A intenção era utilizar um frasco de feijão manteiga que estava esquecido na despensa, e os muitos tomates que estavam no frigorífico. Porém, no último minuto, faltou-me a paciência e lá foram duas latas de tomate pelado.

Na minha família a grande especialista dos Cremes de Tomate é a minha irmã. E deixem-me fazer uma nota sobre a minha irmã. A minha irmã é o oposto de mim, quer fisicamente, quer em termos de feitio. Aliás, quem nos conhece em separado não nos atríbui qualquer grau de parentesco. Juntas, e com algum poder de sugestão, são, no entanto, detectáveis alguns traços comuns. O gosto pela cozinha, porém, segue a regra geral, uma gosta a outra não. Quando éramos miúdas e ficávamos sozinhas em casa, erámos a dupla perfeira... eu cozinhava, ela arrumava a cozinha. Eu gosto de cozinhar e portanto ficava toda satisfeita de estar na cozinha e ter quem comesse o que eu tinha preparado. Ela gosta de comer, e não se importa de arrumar a cozinha, tarefa que, confesso, detesto. Assim, nunca havia discussão, pelo menos quanto a isto... Claro que, e como qualquer mulher que não gosta de cozinhar, ela casou com um homem que cozinha. Alguém me explica este fenómeno?! Mas justiça lhe seja feita, ela não deixa a filha morrer de fome. Com a sua melhor amiga Bimby e alguns livros de cozinha ela já vai fazendo algumas coisas! E se no geral ela não é nenhum às na cozinha, no que toca a Cremes de Tomate ela dá cartas. Por isso é com orgulho que, modéstia à parte, digo que este creme não faz feio ao pé da receita dela.

Na minha opinião este Creme ganha vida com a junção, no momento de servir, de uma erva aromática. Eu usei salsa, mas outra erva a gosto ficará igualmente bem. Fica também a ideia, para quem gosta, de salpicar com um pouco de ovo cozido.
O R. não dispensa os seus croutons… mas nesse caso estamos mais perto de uma açorda alentejana do que de um creme de legumes.


Creme de Tomate e Feijão Manteiga
(inspirado numa receita do livro "The Bean Book" da Rosie Elliot)

2 cebolas (eu uso roxas)
Azeite
400 gr de feijão manteiga
2 latas de 200 gr de tomate pelado
1 lt de água (ou caldo de legumes)
sal a gosto

Refogue a cebora partida em pedaços num pouco de azeite, até ficar translúcida. Juntar o feijão e o tomate. E tempere a gosto. Cubra com água (ou caldo de legumes) e deixar cozer até amaciar bem os legumes. Passar com a varinha mágica. Se achar a sopa muito ácida pode adicionar uma pitada de açucar. Servir salpicado com um pouco de salsa.

terça-feira, 9 de novembro de 2010

Brownies de Chocolate com Café e Avelãs

Uma nova versão desta receita:

Algumas alterações foram propositadas outras circunstanciais. Repeti estes Brownies para experimentar a combinação Café e Avelãs em vez de Cerejas e Vinho do Porto.
Na minha opinião ficaram melhores que os anteriores! Gulosos!



Brownies de Chocolate com Café e Avelãs

2 cups de avelãs torradas
200 ml de café forte

1/2 cup de farinha de trigo
1/3 cup de cacau
1/2 colher de chá de sal
2 colheres de chá de fermento
300g de chocolate negro
80g de manteiga sem sal
2 cups de açucar mascavado
4 ovos
100 ml de natas
100 g pepitas de chocolate negro (ou chocolate cortado)

Numa tigela junte a farinha, o cacau, o sal e o fermente e reserve. Derreta em banho-maria (ou no microondas) os 300 grs chocolate, o açucar e a manteiga e deixe arrefecer (apenas o suficiente para não cozer os ovos).
Bata a mistura do chocolate e adicione os ovos um a um e batendo bem entre cada adicção. Com uma colher de pau envolva, apenas até incorporar, a mistura da farinha e as natas. Junte as avelãs, o café e o chocolate cortado.
Leve ao forno (180.º C) em tabuleiro untado e forrado com papel vegetal (vai ajudar a desenformar) durante cerca de 30 min a 40 min. A massa deve ficar bem cozida.
Eu utilizei a dica da Heidi e coloquei o bolo no frigorífico de um dia para o outro, só depois o cortei em pedaços, lavando sempre a faca entre cada corte. Estes brownies devem ser consumidos à temperatura ambiente. Se quiser pode polvilhá-los com cacau, eu não achei necessário. 

sexta-feira, 5 de novembro de 2010

Portes Amazon

Numa altura em que vivemos assolamos por tantas notícias de crise financeira, problemas de Orçamento de Estado, uma das melhores notícias que recebi foi que a Amazon UK deixou de cobrar, para encomendas superiores a 25£, portes de envio para Portugal.

Ora aqui está uma boa medida para a minha poupança! Hum... ou talvez não...
Contive-me durante meses.
Hoje, já imbuída de espírito natalício, não resisti e fiz a minha primeira encomenda sem portes!

Um livro que há muito andava a namorar. Cheguei a tê-lo nas mão em Nova Iorque, mas convenhamos que era pesadote para trazer de recuerdo.

"Vegetarian Cooking for Everyone", da Deborah Madison, está a caminho!!!

Para o Verão de São Martinho!

Este Arroz de Castanhas sai sempre bem, mas sempre que quero fazer este arroz ligo à minha mãe porque já não me lembro onde anotei a receita. Desta vez vai ficar registada!



Arroz de Castanhas
1 chávena  de  arroz
1 chávena de castanhas congeladas (pode ser um pouco mais)
2 chávenas de água a ferver
1 cebola
1 ou 2 dentes de alho (a gosto)
Sal a gosto
Numa panela de pressão refogue a cebola e o alho num pouco de azeite, quando estiverem translúcidos junte o arroz de deixar fritar um pouco. Adicionar as castanhas e a água (já a ferver). Temperar a gosto (às vezes enquanto a cebola refoga junto um pouco de caldo de legumes). Tapar a panela de pressão, quando começar a chiar baixar o lume para o mínimo e deixar cozer 7 minutos. Depois este tempo desligar o lume e deixar descansar cerca de 10 a 15 minutos.

terça-feira, 2 de novembro de 2010

E não devia estar óptimo?!

Nunca percebi porque é que dizer a alguém que a comida que esta pessoa cozinhou parece de compra é um elogio. Pior, não percebo porque é que alguém toma isso como um elogio! Quando procuro receitas na internet, às vezes leio nos comentários às receitas: "Experimentei e todos adoraram. Acharam que tinha sido comprado!"

Mas não é suposto a comida caseira ser melhor? Porque é então de espantar que algo realmente bom tenha sido feito pela anfitriã?! De espantar seria o contrário. Será que sou eu que estou enganada?...
Deixa-me sempre preplexa o ar de espanto que as pessoas fazem quando dizem: "Foste tu que fizeste?! Bem, está óptimo!"
E qual é o espanto?! Não deveria estar óptimo?! Acho sempre que há uma mensagem subtil subjacente, como se não achassem a anfritã com capacidade suficiente para fazer alguma coisa saborosa, quase um insulto mascarado... algo como "bem, não estava nada à espera que fizesses algo comestível"... Parece que afinal as expectativas eram baixas...

Lamento informar, mas na minha humilde opinião a comida feita em casa, com amor e carinho, mesmo por uma cozinheira pouco apta é sempre melhor que a comprada fora. E comparem a minha comida à de compra não é um elogio!

segunda-feira, 1 de novembro de 2010

Papa de Arroz

É sobejamente sabido que o pequeno-almoço é a refeição mais importante do dia, mas por um motivo ou por outro acabamos por cometer os piores erros na primeira refeição da manhã, fritos - "um croquete e um café"?!, muitos açucares refinados, muitas vezes nem se toma o pequeno-almoço e passam-se muitas horas em jejum. Infelizmente o pequeno - almoço idílico de todos sentados à mesa em família, com fruta fresca, sumos naturais, torradas barradas com compota, etc., tipo anúncio da Flora, não é viável.

Esta papa é uma alternativa saudável, e diferente dos habituais cereais com leite. Pode ser acompanhada com banana ou puré de maça, um toque de canela, frutos secos, ou o que mais se gostar. Aprendi esta receita há alguns quando fiz um curso de cozinha vegetariana com a chef Fernanda Vaz.

Hoje foi com papa de arroz com canela e ameixas secas.



Papa de Arroz
(quantidade para cerca de 5 a 6 doses)
1 Chávena de Arroz Integral
4/5 Chávenas de água
1 Pau de canela
1 Estrela de anis
3 Cravinhos
3 Cardamomos verdes
Sal

Cozer o arroz, com a água, as especiarias e uma pitada de sal numa panela de pressão, durante cerca de 45 minutos. - Suponho que se for numa panela normal demorará mais ou menos o dobro do tempo, cerca de 1h30. É também possível que seja necessária mais água. - O que se pretende é que o arroz coza lentamente e que fique muito cozido quase papa.
Depois de cozido eu guardo o arroz numa caixa plástica dentro do frigorífico.
De manhã tiro duas ou três colheres de sopa de arroz e ponho numa tigela, junto um pouco de leite de soja e uma colher de chá de açúcar ou um pouco de néctar de Agave. Aqueço uns dois minutos no microondas (mas pode ser feito no fogão) e mexo bem. Uma pitada de canela e já está!
Pequeno-almoço reconfortante, de fácil digestão e saudável. E depois do arroz cozido só demora 3 minutos a preparar!